O Movimento SOS Serra d’Arga entregou na Assembleia da República uma petição contra a proposta do Orçamento do Estado para abertura de concurso público de prospeção e exploração de minérios em nove zonas do país.

“Estivemos reunidos com a vice-presidente da Assembleia da República [AR], a petição foi aceite e, segundo nos foi explicado, será apreciada e discutida em plenário”, explicou Carlos Seixas, porta-voz do movimento SOS Serra d’Arga.

O responsável esclareceu que a intenção do movimento, que reuniu 1.510 assinaturas na petição, é que “seja rejeitado o ponto do Orçamento do Estado de 2020 relativo a um concurso para prospeção, pesquisa e exploração de lítio e minerais associados em nove zonas do país”.

“Queremos que nem sequer se faça a prospeção e mostrar que sabemos que o poder está em Lisboa e que estamos e estaremos atento”, frisou Carlos Seixas.

Para o responsável, a exploração mineira “não é a forma de desenvolvimento sustentável que as populações desejam”.

“Queremos o desenvolvimento, mas esta não é a forma de o fazer. Porque é que o Governo insiste neste processo”, questionou.

O porta-voz lamentou o “obscurantismo” com que o assunto tem sido tratado pelo Governo, nomeadamente porque o OE de 2020 refere apenas um concurso para “nove zonas sem especificar quais”.

De acordo com Carlos Seixas, a Serra d’ Arga será uma delas, até porque a prospeção de lítio naquele local foi referida ao longo de 2019.

Em julho, o Governo decidiu “excecionar” o sítio Rede Natura 2000 Serra d’Arga do conjunto de áreas a integrar no concurso para a prospeção de lítio, mas o porta-voz do movimento assegura que se mantém a pretensão de exploração mineira naquela serra.

Carlos Seixas assegurou que a exceção a que se referiu o Governo diz apenas respeito ao “maciço central da Serra, que é granítico e não tem interesse, porque não tem lítio ou qualquer outro mineral”.