Nova peça da Krisálida alerta os jovens para o cyberbullying

O cyberbullying é o tema da nova peça da companhia de teatro Krisálida, que pretende alertar os mais jovens, a partir do palco, para os efeitos nocivos e sem rosto destas práticas, bem como para o outro lado das redes sociais que são vistas só a partir dos ecrãs. 

O espetáculo “100 C@RAS”, sobre ciberbullying, tem estreia marcada para 28 de setembro, pelas 21h30, no XI Festival Internacional de Teatro É-Aqui-in-Ócio, organizado pela Varazim Teatro – Associação Cultural, e resulta do objetivo, desde a primeira hora, de a companhia utilizar o teatro como ferramenta de trabalho para espoletar o pensamento crítico e o debate de problemáticas sociais, através das suas criações. 

“Mais do que nunca, a tecnologia digital faz parte da vida de um número significativo de pessoas. Apesar dos diversos benefícios associados à utilização das plataformas digitais, existem também novos tipos de riscos inerentes, entre os quais, o envolvimento em situações de violência entre pares, seja enquanto observador, vítima ou agressor, que tem vindo a ser cada vez mais frequente entre os adolescentes”, explica Carla Magalhães, diretora artística da Krisálida. 

Esta nova criação da companhia, com sede em Caminha, tem estreia marcada para a sala principal do Cine-Teatro Garrett, na Póvoa do Varzim, e é fácil de explicar. Aborda um inimigo com muitas caras, mas sem rosto.
Explica que as redes sociais e a Internet podem magoar, mesmo que no início tudo seja só uma brincadeira. Os ecrãs do computador ou do telemóvel nada mais são do que um espelho onde os jovens criam uma identidade, amados pelas imagens e pelos gostos que recebem. 

Mas e se, como questiona a sinopse da peça, “o espelho ficar deformado?”. Ou mais: “Se nos disser que somos o que não somos? Sem identidade e sem afeto teremos a solidão como companhia”.
“Estivemos a reaprender o mundo das redes sociais de uma forma não inocente, pois tudo pode começar como um jogo divertido, uma brincadeira e de repente pode deixar de o ser”, explica o encenador, Jorge Alonso. 

A peça é feita de cenas e microcenas, sejam elas, “cenas em vídeo, cenas no palco e cenas entre o vídeo e o palco e os atores”, conta o encenador, desvendando mais um pouco sobre o novo trabalho. 

Do título “100 C@RAS”, Jorge Alonso explica que podem ser retirados dois sentidos: “O primeiro é um número grande de caras/personagens, daí o haver muitos personagens e o segundo é os sem rosto: os agressores e muitas vítimas que se escondem. Daí a não necessidade de nomes, mas de tipos, de vítimas, de agressores, de testemunhas” 

Um terço de todos os utilizadores da Internet a nível mundial (dados da Unicef, 2017) são crianças e jovens até aos 18 anos. Corresponde a milhões de crianças e jovens que usam as novas tecnologias para comunicar, aprender, expressarem-se ou para fins lúdicos, mas que também ficam expostas a riscos, a informação falsa ou maliciosa. 

“A ‘cyber-violência’ e o bullying são, hoje, um problema mundial. O espetáculo ‘100C@RAS’ tenta contribuir para despertar os jovens, para que se sintam preparados para lidar com os potenciais riscos que advêm da convivência online, desenvolvendo a capacidade para regularem o seu comportamento, nomeadamente, a forma como comunicam”, explica ainda Carla Magalhães. 

O espetáculo “100 C@RAS” conta ainda com a co-criação e interpretação de Eva Fernandes, Raquel Ribeiro, Ricardo Ribeiro, Romeu dos Anjos Pereira, assistência de encenação de Leonor Carvalho, desenho de luz de Rui Gonçalves, vídeos da “Luar Imagem”, assistência de produção de Ângela Calisto e design de Ricardo Ferreira.