“Paredes de Coura quer ser pioneira ao compensar quem cuida da floresta”

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O orçamento municipal de Paredes de Coura em 2023 vai contemplar uma verba destinada a compensar quem cuida da floresta, por considerar que essas pessoas prestam “um serviço à Humanidade”.

“As pessoas que preservam os carvalhais e as árvores com valia ambiental têm de ser compensadas. Não existe regulação nacional, nem regulação jurídica nesta área, mas Paredes de Coura quer ser pioneira e estamos dispostos a ser criativos e encontrar enquadramento jurídico para compensar quem cuida da floresta. Estamos cansados de estar eternamente à espera de legislação neste âmbito”, afirmou o autarca de Paredes de Coura.

No âmbito das comemorações do Dia do Concelho, Vítor Paulo Pereira disse que o planeta “não pode esperar muito mais por essa regulamentação nesta área porque o impacto alterações climáticas é bem visível”.

“A floresta precisa de modelos alternativos e inovadores de gestão. Nós procuraremos dar o nosso pequeno contributo”, apontou.

Sobre o valor a integrar no orçamento para compensar a população pela preservação da mancha verde do concelho “terá de ser significativo de modo que a floresta passe a ter valor económico”.

“As pessoas têm de sentir que existe um benefício na preservação da floresta. Por um lado, um benefício altruísta, para com o resto do país ou até do mundo, mas também um benefício individual, compensando-se financeiramente quem cuidar de carvalhais únicos, florestas maravilhosas. Tem de haver um incentivo”, frisou.

Vítor Paulo Pereira quer que “as pessoas olhem para o carvalho como uma árvore estratégica para a biodiversidade do concelho”.

“Os carvalhais são espaços únicos de preservação da biodiversidade. Só podemos preservar os carvalhos se as pessoas tiverem retorno económico.

Se eu tiver um carvalhal e o proteger, esse carvalhal produz riqueza. Fixação de carbono no solo, biodiversidade, pureza do ar e, esse trabalho tem de ser pago. As pessoas terão de ter um retorno económico por preservar os seus carvalhais ou plantarem novos. É a mesma coisa que considerarmos que a floresta Amazónica é património mundial, queremos que os povos indígenas a preservem, vivendo em condições miseráveis”, apontou.

O presidente da Câmara defendeu “a valorização dos serviços de ecossistema, criando um suporte económico de rendimento, que promova a fixação das pessoas no concelho e a melhoria do seu nível de rendimento ao mesmo”.

“Os agricultores e proprietários florestais passarão a ser vistos como os prestadores destes serviços, já que são eles que os proporcionam”, sustentou.

Em causa está o projeto “Carvalho árvore sagrada” que vai promover a sua plantação e preservação em Paredes de Coura, hoje anunciado pelo autarca socialista durante o discurso que proferiu na sessão comemorativa do Dia do Concelho.

Lembrou que “Paredes de Coura foi o primeiro concelho do país a ter um Plano de Paisagem, que “construído” através um projeto de participação democrática e educação ambiental”, considerado pelo Conselho da Europa “como um projeto pioneiro de participação cidadã e de aprofundamento democrático”.

Nos “últimos sete a oito anos o município já distribuiu mais de 300 mil carvalhos para reflorestar a paisagem do concelho”.

“Paredes de Coura faz uma clara aposta num futuro mais sustentável onde o carvalho português emerge como árvore sagrada, estratégica, ou árvore símbolo de uma estratégia paisagística que procure a sustentabilidade, o ordenamento territorial, a preservação da biodiversidade e a gestão do combustível vegetal rasteiro”, referiu o autarca numa nota enviada às redações a propósito da intervenção do autarca na sessão do Dia do Concelho.

Vítor Paulo Pereira adiantou que o município vai implementar “um projeto de educação ambiental que promova a plantação, a disseminação e a conservação dos carvalhais existentes, bem como estimule as pessoas a substituírem a lenha de carvalho pela lenha de eucalipto no aquecimento das casas”.

“Um projeto ambicioso que pretende recuperar o apogeu do antigo castro da Cividade de Cossourado, quando neste território o carvalho era a árvore venerada e dominante das florestas existentes no Alto Minho. Ainda temos alguns dos maiores carvalhais do país e não queremos perder património tão precioso e inestimável. Até porque consideramos que não haverá futuro na nossa terra sem paisagem cuidada, bio diversa e com menos fogos”, sustentou.

O autarca admitiu que “as causas dos fogos descontrolados são mais complexas e estruturais e os carvalhos são apenas um pequeno instrumento no meio de tanto a fazer”.

“Porém, também sabe que se a paisagem fosse compartimentada com uma matriz de carvalhos, em que os eucaliptos e resinosas fossem ilhas nas manchas florestais, o risco de grandes incêndios seria muito menor, mais facilmente seria feito o seu controlo e mais intensa seria a biodiversidade”, explicou.

O autarca destacou “a parceria com os baldios, Juntas de Freguesias, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), sapadores e bombeiros na luta para atenuar os efeitos devastadores do fogo”, realçando “o trabalho de cooperação com os bombeiros voluntários num distrito que apresenta um défice anormal de operacionais”.

“Graças a um trabalho de excelente cooperação entre a Câmara e os Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura temos uma instituição mais bem equipada e capaz de intervir com mais segurança”, realçou Vítor Paulo Pereira, que “simbolicamente entregou 10 equipamentos completos de proteção individual para intervenção em fogos urbanos e industriais, no valor de 40 mil euros”.

 

Painel de Isabel Lhano evoca espírito courense

Neste Dia do Concelho, Paredes de Coura reconheceu o mérito de alguns courenses que, no silêncio dos seus dias muito contribuíram, e ainda contribuem, para a elevação e prosperidade da terra. Durante a homenagem foi apresentado um painel de da artista plástica Isabel Lhano e que passou a estar exposto no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

“Esta obra representa as forças mais profundas que existem dentro de nós: os courenses.  Forças estas que costumam surgir com maior vigor quando celebramos algum acontecimento único na vida da nossa terra, que lembra a coragem dos nossos antepassados, a idade dos nossos templos, a idade das nossas aldeias e os caminhos perdidos, sem fim, numa paisagem onde o velho se mistura com novo”, concluiu o autarca.