Ecomuseu da Transumância está a nascer na Branda da Aveleira

 

A celebração anual do dia do brandeiro, que se assinala no primeiro fim-de-semana de agosto na Branda da Aveleira, em Melgaço, revestiu-se neste último sábado, dia 6, de especial importância estratégica com o lançamento da primeira pedra do projeto de constituição de um Ecomuseu da Transumância.

A reabilitação do “Forno da Telha”, construção que evidencia a autossuficiência destas comunidades de montanha no que respeita a técnicas construtivas e a criação de estruturas de apoio à fruição e interpretação da paisagem cultural da Branda da Aveleira consubstanciam as primeiras concretizações deste projeto de Ecomuseu em expansão e consolidação contínuas.

Este desígnio encontra-se inscrito na Declaração Patrimonial da Aveleira, assinada em 1996, aquando a realização do projeto ‘Memória e Fronteira’, constituindo, por isso, o cumprimento de uma vontade coletiva que o tempo mostrou ser sólida e alinhada com as atuais tendências políticas de sustentabilidade ambiental e socioeconómica.

Localizada na Freguesia da Gave, concelho de Melgaço, a Branda da Aveleira desenvolve-se na vertente norte da Serra da Peneda, a cerca de 1000 metros de altitude, na proximidade das Portas de Lamas de Mouro do Parque Nacional Peneda-Gerês.

Mais do que um reservatório de memórias, tradições e patrimónios associados à prática multissecular da transumância, a Branda da Aveleira é o território onde se desenham projetos de futuro para as comunidades de montanha desta raia do noroeste português.

A memória do Brandeiros da Aveleira é partilhada por um vasto espaço geocultural que se expande entre a Serra da Peneda e o planalto de Castro Laboreiro, dividido entre os Municípios de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez, onde se multiplica a presença de brandas e inverneiras, conferindo-lhe, pelas práticas culturais associadas, uma matriz identitária comum, a qual consubstancia o capital basilar da ecomuseologia.

Aqui, na última das fronteiras, sangrada das suas gentes pelo êxodo demográfico massivo das décadas de 70 e 80, subsistiam ainda em finais do século XX homens e mulheres que perpetuavam a memória do pastoreio itinerante, ascendendo com o gado às ‘Brandas’ nos meses amenos de primavera e verão e procurando refúgio nas ‘Inverneiras’ nos meses climaticamente mais agrestes.

Os autarcas presentes reconheceram que é este espaço geocultural mais vasto que poderá dar escala e projeção a um verdadeiro Ecomuseu da Transumância, constituído por núcleos temáticos distintos, reflexos das singularidades de cada local, múltiplos patrimónios, diversos itinerários culturais e paisagísticos, uma agenda de dinamização cultural e turística comum, um projeto de desenvolvimento agregador.