Expolima é um “motor” potente que precisa de mais cavalos

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Feira do Cavalo 2024

A Feira do Cavalo atingiu um patamar de notoriedade e internacionalização que só será superado se houver uma ampliação das actuais instalações na Expolima. Essa é a opinião do diretor da Feira do Cavalo, Filipe Pimenta, um apaixonado pelo mundo rural e equestre, que acredita convictamente que o segredo para aumentar a atração turística de Ponte de Lima está na preservação do mundo rural, aproveitando todo o potencial que o cavalo representa e aporta enquanto mais valia económica, transversal a vários sectores de actividade. 

Filipe Pimenta apaixonou-se por cavalos em criança, quando via os criadores a passar para a feira do gado das Feiras Novas. Sobrinho de um moleiro, que distribuia farinha com uma carroça puxada por um garrano, Filipe cedo demonstrou a vontade de também ter um cavalo e o pai fez-lhe a vontade. Deu-lhe uma garrana chamada Andorinha. 

Com o telemóvel constantemente a tocar, Filipe Pimenta não tem parança nos dias que antecedem a Feira do Cavalo para garantir que tudo corre conforme planeado até ao próximo domingo.”Costumo dizer que os criadores são o motor da Feira do Cavalo e temos cada vez mais procura de criadores para participar, mas não temos espaço disponível. Era importante aumentar o espaço, não só por causa da Feira do Cavalo, enquanto evento de prestígio e notoriedade internacional que promove Ponte de Lima e Portugal em vários países e tem potencial de crescimento, principalmente no número  de criadores, mas também de outros eventos que temos promovido e têm sempre casa esgotada”, defendeu Filipe Pimenta. “A Expolima é um recinto de topo, mas já pede para crescer, principalmente para acolher mais criadores e mais coudelarias, e melhorar o parque de boxes e o backstage, para permitir receber mais competições e com mais nível. Se crescer, vamos conseguir atrair mais cavaleiros, mais pessoas de cavalos, ser mais internacionais e ter mais visibilidade internacional, o que depois reflete-se no número de dormidas, na restauração, na venda produtos locais e na promoção de toda a região”, reforçou. “Quantos mais criadores, mais cavalos vai ter o motor da Feira do Cavalo”, metaforizou, assumindo que o mais difícil já está feito ao tornar a Feira do Cavalo como um “evento de topo”. 

Aproveitando a coincidência com festa do Senhor do Socorro, na Labruja, este ano, o passeio a cavalo que habitualmente se realiza durante a feira será em formato de romaria até ao santuário, no sábado de manhã, onde os romeiros a cavalo poderão participar na benção dos animais. “Será um momento especial que conjuga história, cultura e tradição com muito simbolismo em Ponte de Lima”, salientou Filipe Pimenta. 

O concurso de modelo e andamentos, de machos e fêmeas, é outro dos pontos altos da feira, com a participação de cavalos a partir de um ano de idade. No sábado à noite, ficará a saber-se qual é o cavalo puro sangue lusitano eleito campeão dos campeões, que aparecerá no cartaz da feira do próximo ano. Filipe Pimenta não se cansa de dizer que o cavalo lusitano é dos maiores embaixadores de Portugal. “Hoje é um cavalo cada vez mais polivalente e com capacidade desportiva, criado em vários países, continua a ser um embaixador de Portugal nesses países e nós conseguimos comunicar facilmente a Feira do Cavalo por causa do cavalo lusitano”, reiterou. “A Feira do Cavalo é muito importante porque traz um retorno económico a Ponte de Lima que fica distribuído, mas o retorno de comunicação que o cavalo lusitano impulsiona é incalculável”, insistiu, admitindo que a feira continua a ser o palco privilegiado para o desfile de cavalos que são como “Ferraris” de quatro patas. 

A feira é também o espaço de promoção de raças autóctones da região, aspecto que o director do evento aplaude pela importância que têm para a dinamização do mundo rural através do turismo. “É sobre o que nos diferencia e deve ser preservado. Estamos a falar de várias espécies com características únicas. Para além de optimizar o negócio do mundo rural, também incentiva o turismo porque as raças autóctones, como o cavalo garrano, são como fósseis vivos, que carregam um legado histórico. É importante que as pessoas venham à região e vejam os cavalos soltos na serra da Labruja ou na serra d’Arga, porque são animais que carregam uma genética ancestral e permanecem iguais como há milhares de anos”, destacou. “Ponte de Lima tem de ser cada vez mais um destino turístico, porque o turismo, no mundo rural, não nos deixa estragar o que existe. Para haver qualidade turística no mundo rural, temos de preservar ao máximo tudo o que temos e que nos diferencia”, reforçou.

Aos longo de 16 edições, o director da Feira do Cavalo salienta a evolução da criação de cavalos na região. “Há novos criadores e, essencialmente, muitos mais cavaleiros, amadores e a competir. Temos formação profissional direcionada a este sector e também hipoterapia, além da promoção de toda a região. E a nível nacional, a Feira do Cavalo de Ponte de Lima teve uma importância muito grande em tornar o cavalo como uma aposta nacional”, afirmou Filipe Pimenta, considerando que os limianos “sentem-se orgulhosos” com a realização deste evento em Ponte de Lima. “Há aqui muita ruralidade e a ruralidade é cada vez mais posicionamento porque é o que nos vai ajudar a sermos melhores, a termos mais economia e mais qualidade de vida e a sermos mais procurados”, acredita.