Há poucas lampreias e quase ninguém compra

O presidente da Associação de Pescadores do rio Minho e do Mar disse que as restrições impostas pela pandemia de covid-19 e novo confinamento geral representam quebras de 80 a 90% no rendimento com a safra da lampreia. “Primeiro foram as restrições impostas à restauração. Agora é o confinamento geral. Estamos a falar de uma quebra entre 80 a 90% dos nossos rendimentos nesta campanha. São entre 8.000 a 9.000 euros de rendimento de perdas, por pescador. Esta quebra de rendimento na safra da lampreia terá um impacto no volume anual da nossa atividade, que] cairá 60 a 70%”, afirmou Augusto Porto.

Augusto Porto explicou que “no arranque da faina perspetivava-se um bom ano de lampreia, mas a pandemia de covid-19 causou a redução do preço do ciclóstomo e a procura, sobretudo pela restauração”. “A procura reduziu muito por causa do impacto da pandemia na restauração, uma redução entre 60 e 70% por parte dos restaurantes. Agora, com o início do confinamento, vai ser ainda pior. Isto vai ter um impacto tremendo nas nossas vidas”, disse. “Inicialmente, mesmo só com as restrições, estamos a vender a lampreia a um preço mais baixo, cerca de 50%, em relação a anos anteriores. A lampreia pequena a 10 euros e a grande a 20 euros. O preço mantém-se, mas muitas embarcações já não estão a sair para pescar lampreia”, reforçou.

Segundo Augusto Porto, atualmente, “na foz do rio Minho operam entre oito e 10 embarcações, quando num ano normal andariam, uma média, de 50 a 60 embarcações”.

No rio Lima, e segundo dados do comandante do porto de Viana do Castelo, Sameiro Matias, estão licenciadas para aquela pesca “65 embarcações locais que têm de operar em três turnos”. “Das ações de fiscalização que temos realizado registamos menor afluência de embarcações a operar”, referiu o capitão do porto.

Luís Miguel Ferreira, da direção da Associação de Pescadores do rio Lima, apontou “pouca quantidade de lampreia no rio Lima” e reforçou que “a pandemia de covid-19 está a afetar as vendas, por falta de procura”, sendo que “os barcos não estão a sair para o rio”. “Está pior que no ano passado. Por maré conseguimos tirar duas a três lampreias, há dias que não pescamos nenhuma. O preço está muito mais barato em relação a anos anteriores. Neste momento, a lota estava a praticar um preço entre os 35 a 40 euros, mas a partir desta semana deve cair”, especificou. Acrescentou ainda que “as vendas são fracas e agora, com o confinamento, a procura vai cair porque os restaurantes vão estar fechados”.

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